SAÚDE MENTAL

GT inicia trabalho de fortalecimento da rede de prevenção ao suicídio e automutilação

O objetivo de montar estratégias e fortalecer a rede de proteção, para que funcione efetivamente e consiga prevenir e reduzir o número de casos de suicídio e automutilação

06/11/2019 09h08 | Atualizada em 06/11/2019 10h09

GT inicia trabalho de fortalecimento da rede de prevenção ao suicídio e automutilação

Ozéas Santos/Alepa

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Representantes de 12 instituições que atuam no atendimento e prevenção de casos relacionados à violência emocional participaram nesta terça-feira (05.11) da primeira reunião do Grupo de Trabalho criado na Alepa, a partir da Audiência Pública realizada em outubro para debater sobre depressão, automutilação e suicídio.

A deputada Ana Cunha (PSDB) coordena o GT, com o objetivo de montar estratégias e fortalecer a rede de proteção, para que funcione efetivamente e consiga prevenir e reduzir o número de casos de suicídio e automutilação.

"Observamos a motivação das pessoas, esse grupo de trabalho conta com pessoas envolvidas e comprometidas com a causa e com a realização de um plano de ação futuro no estado do Pará relacionado ao enfrentamento desse tipo de violência, que é a depressão, a automutilação, e em alguns casos infelizmente, ao suicídio", destaca a deputada Ana Cunha. "A gente constrói nesse momento uma equipe multidisciplinar, com todas as secretarias envolvidas do estado e município, junto com as organizações não governamentais, a representação desse fenômeno que passa como uma doença silenciosa com consequências trágicas", explica a parlamentar.

Ela destaca que não existe nenhum plano nacional de enfrentamento a essa patologia. "Saímos desta reunião com a missão de elaborar uma cartilha e fazer com que essa rede de apoio possa ser visualizada e chegue a todos os cidadãos e mais do que nunca a gente possa compreender que todos devemos trabalhar coesos no enfrentamento desse problema", diz.

A parlamentar também é autora de um Projeto de Lei , já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, que determina a notificação compulsória nos casos de violência autoprovocada, incluindo as tentativas de automutilação e suicídio, sendo obrigatório o registro de pacientes atendidos nas unidades de saúde, escolas e Conselho Tutelar. Ana Cunha também vai propor a criação de uma Frente Parlamentar de Combate e Prevenção ao Suicídio e Automutilação.

Fragilidade – Durante a reunião, ficou demonstrada a fragilidade na rede de apoio e a necessidade de especialização e capacitação para lidar com esses tipos de ocorrências.
A deputada Ana Cunha enxerga a situação como uma pandemia e comparou com o tempo em que surgiu a Aids, todos na época em busca de solução e prevenção. Hoje já existe o controle. "Assim, deve ser feito com a saúde mental que está adoecendo a humanidade, sendo a segunda causa de morte por suicídio", avaliou.

"Estamos impressionados com a quantidade de jovens – crianças e adolescentes – com tendências suicidas e depressão. Nunca foi tão grande. Precisamos fazer algo, ajudar as pessoas que lidam com esses jovens para saberem o que fazer, em casa ou na escola", avalia Olga Castro, coordenadora do Centro de Valorização da Vida (CVV).

O CVV funciona no Pará há mais de 40 anos. É um trabalho de apoio feito no sigilo, com respeito, na confiança e funciona 24 horas. O número de atendimento é o 188.

Dados: De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sespa), foram registrados 301 casos de suicídios em 2018, no Estado do Pará.

De acordo com a Secretaria Nacional de Vigilância em Saúde, os dados no Boletim Epidemiológico diz que entre os anos de 2007 e 2017, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificações (Sinan), mais de 400 mil casos de intoxicação exógena no Brasil, sendo aproximadamente 250 mil caracterizadas como tentativas de suicídio. Dessas tentativas, foram registradas em pessoas do sexo feminino aproximadamente 150 mil, e, no masculino, um pouco mais de 60 mil.

Considerando o total de tentativas de suicídio, aproximadamente 76% ocorreram em menores de 40 anos do sexo feminino e 74% do masculino, nesta faixa etária. Em ambos os sexos, as notificações de tentativas estão concentradas na população de 15 a 59 anos, abrangendo uma ampla população em idade economicamente ativa. Todavia, observa-se que as mulheres iniciam mais cedo as tentativas de suicídio por intoxicação exógena, sobretudo as adolescentes (11 a 18 anos), chegando a 4% aos 16 e 17 anos de idade.

FONTE: Alepa

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