MERCADO

Crise leva 33 empresas a pedirem falência no Pará somente este ano

Cresceu 10 vezes o número de pedidos de recuperações judiciais decretadas e concedidas no Pará de janeiro a agosto deste ano, em comparação ao mesmo intervalo do ano passado, segundo o Serasa Experian

16/09/2019 06h25 | Atualizada em 16/09/2019 06h27

Crise leva 33 empresas a pedirem falência no Pará somente este ano

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Cresceu dez vezes o número de pedidos de recuperações judiciais decretadas e concedidas no Pará de janeiro a agosto deste ano, em comparação ao mesmo intervalo do ano passado, segundo estudo realizado pela Serasa Experian. Nos oito primeiros meses de 2018, apenas três empresas instaladas no território paraense entraram com pedido de recuperação judicial, enquanto que, neste ano, o número de solicitações e deferimentos combinados já alcança 33. Conforme explicou o secretário-geral da Junta Comercial do Pará (Jucepa), Fernando Velasco, esse número não condiz com o que vem sendo observado pelo órgão nos dois períodos citados. Segundo ele, em 2018 , apenas uma empresa decretou falência, número que se manteve entre janeiro e agosto deste ano, contra três empreendimentos falidos em 2017. Ou seja, os dados da Jucepa mostram que o mercado teve comportamento contrário à pesquisa da Serasa. "O que o levantamento deve ter considerado é que muitas empresas iniciam o processo de falência, mas não concluem. Por exemplo, uma empresa tem dívidas e é notificada pela Jucepa porque pode falir. Em muitos casos as empresas quitam as dívidas e recuperam seu posto no mercado, então não é decretada a falência. Só podemos contabilizar ao final do processo", comentou. Quanto às solicitações de falência, o órgão também disse que só uma empresa passou pelo processo neste ano e no anterior. Velasco ainda comemorou os números da Junta Comercial, dizendo que diminuir a quantidade de empresas nessa condição é muito positivo para o Estado. “Existe essa discrepância de dados porque há alguns tipos de sociedade, e a simples não é protocolada pela Jucepa, e sim em cartórios”, explicou o secretário geral. Ele ainda disse que o papel da Junta é fazer anotações e manter um banco de dados, mas não de orientar. O levantamento também mostrou os dados nacionais. Em todo o Brasil, no mês de agosto, foram feitos 125 pedidos de falências, queda de 18,3% CRISE ENCERRA 33 EMPRESAS no comparativo com o mesmo mês do ano anterior. As micro e pequenas empresas ficaram na frente, representando 56,8% das solicitações (71), seguidas pelas grandes empresas, com uma parcela de 24,8% (31), e as médias empresas, com 18,4% (23) dos requerimentos. Entre janeiro e agosto deste ano, foram realizados 974 pedidos de falência em todo o país, um aumento de 0,8% em relação aos 966 efetuados durante o mesmo internado do ano passado. Do total de pedidos durante os primeiros oito meses de 2019, 506 foram realizados pelas micro e pequenas empresas. As médias ficaram com 238 e as grandes com 230 requerimentos.

Autonomia e organização financeira são vias para empresários

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) procura orientar empresários para evitar o fechamento de empresas. A gerente da instituição na Região Metropolitana de Belém (RMB), Leda Magno, disse que a missão do órgão é que as empresas de posicionem cada vez melhor no mercado e disseminem seus produtos e serviços, mantendo a sustentabilidade. "Nossa abordagem é que eles tenham autonomia. Nós oferecemos educação para os empresários, e soluções nas áreas de inovação, planejamento e finanças”, disse. Segundo a especialista, grande parte das empresas não tem organização financeira e não sabe tomar decisões, por isso é importante tratar do endividamento e das negociações, dando mais segurança às empresas após as orientações. Magno ressaltou que, para ter sucesso nos negócios, é essencial que se pense na necessidade dos consumidores. "Conhecendo o público alvo, a empresa pode atingir os clientes de forma mais prática, e existe uma série de aspectos que precisam ser analisados para que a empresa permaneça no mercado, acho que esse é o maior desafio, a permanência, porque a concorrência é constante. O Sebrae entra com esse suporte e apoio para os empreendimentos”. 

Mercado

Um dos empreendedores que já enfrentou as dificuldades do mercado paraense foi Paul Marcel. Em 2012, ele e um amigo decidiram criar uma sociedade, que resultou em uma empresa de eventos, inspirada em instituições que atuavam no mesmo setor, mas em cidades como São Paulo. "Tentamos inovar e trazer um pouco do mercado de outras regiões para Belém, fazendo algo similar, mas ninguém era desse meio, e acho que essa foi nossa maior dificuldade", relembrou Paul. Segundo ele, logo no primeiro evento realizado pela equipe houve prejuízo de quase R$ 70 mil. Mesmo assim, os sócios ainda mantiveram a ideia por um ano. “Não dava muito público e não tivemos retorno. Tentamos outra vez realizar um evento, mas tivemos que fechar a empresa", disse. Paralelamente, o empreendedor já possuía outro negócio, especializado em consultoria de marketing. Em sete anos de atuação, Paul garantiu que, a cada ano, o faturamento da empresa cresce cerca de 10%. Hoje, são dois sócios e dez funcionários trabalhando juntos, que já alcançam os Estados do Pará e Amapá, com uma carta de 500 clientes. "Uma coisa que aprendi com minha experiência foi que é fundamental ter estudo e inteligência de mercado, além de fazer planejamento. Também é essencial validar uma ideia de forma menor antes de ser implementar ela totalmente”, comentou. Além disso, outro desafio no Estado, segundo o empresário, é entender o cliente, e, para isso, precisou fazer capacitações, junto com a equipe, para atender melhor o mercado. 

FONTE: O Liberal

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