CARÁTER DE URGÊNCIA

Deputados pedem o asfaltamento da Estrada do Rio Preto, apelidada de estrada da morte

Localizada na região sudeste do Estado, que inicia no município de Marabá e finda no município de São Felix do Xingu, cortando três municípios; Parauapebas, Itupiranga e Novo Repartimento

17/09/2019 06h25 | Atualizada em 17/09/2019 06h27

Deputados pedem o asfaltamento da Estrada do Rio Preto, apelidada de estrada da morte

Reprodução/Alepa

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Os deputados estaduais em sessão especial pediram em caráter de urgência o asfaltamento da estrada do Rio Preto, localizada na região sudeste do Estado, que inicia no município de Marabá e finda no município de São Felix do Xingu, cortando três municípios Parauapebas, Itupiranga e Novo Repartimento.

A sessão foi aberta pelo presidente, o deputado Dr. Daniel Santos (MDB) e foi coordenada pelo deputado Dirceu Ten Caten (PT), autor do requerimento que originou a sessão. O plenário durante a reunião foi ocupado ainda por oito vereadores de Marabá e lideranças de comunidades moradoras em torno da Estrada.
A estrada recentemente entrou nos noticiários jornalísticos devido a morte de duas jovens atropeladas, que tiveram seus corpos despedaçados, quando se dirigiam em uma moto para um ginásio esportivo localizado em uma área da zona rural de Marabá, por uma carreta "bitrem" que transportava minério de ferro, devido a poeira suspensa que atrapalha a visibilidade dos motoristas. Uma outra jovem sobreviveu ao impacto. Tendo o motorista fugido e a população revoltada incendiado a carreta e interditado a via.


"Crianças que hoje choram por não ter um pai. Pais que choram por verem seus filhos saindo alegres e só receberem a notícia de que estão aos pedaços junto a poeira", falou com lágrimas a líder Rose Moreno, da Comunidade da Estrada do Rio Preto, formada principalmente pelos moradores das vilas: Santa Fé, Três Poderes e Vila União, que constituem a já considerada Rota do Manganês.
Por último, a líder que foi muito aplaudida, pediu para que os parlamentares presentes fizessem a diferença e que as opiniões dos moradores fossem validadas e a estrada asfaltada. "Precisamos que ouçam a nossa voz. Precisamos parar de chorar e voltarmos a sorrir", pediu Rose, falando sobre a estrada. "O cheiro é de poeira e sangue daqueles que amamos", concluindo a leitura de uma carta escrita por sua enteada.
O deputado federal Airton Faleiro (PT), que representou a Câmara dos Deputados pediu então cópia da Carta lida, para entregar ao governador Helder Barbalho, já que teria em seguida um encontro.
"O pronunciamento da Rose nos emocionou muito, porque traduziu o sofrimento humano, porque falou de vidas perdidas para a situação, já que nos importamos muito mais com o aspecto econômico da questão", sinalizou, dizendo que iria lê-la na integra para o governador.
Para o deputado Dirceu Ten Caten, a Estrada corta cinco municípios da região do Carajás. "Atualmente cruzam por cerca 600 carretas dias trafegando naquela vicinal, que no entanto, é uma das estradas mais importantes para o desenvolvimento econômico e social, porque temos o escoamento de manganês e empresas mineradores que estão ao entorno, com mais de 50 mil pessoas que vivem as margens desta importante via", explicou o parlamentar situando todos sobre a dimensão da situação.


"Então é preciso que nós possamos ver a importância do Poder Público fazer algo em relação a situação que aquela via se encontra, precisamos pelo menos asfaltar o seu principal trecho, em torno de 140 km, onde temos o maior fluxo de carretas, nem que para isso tenhamos que autorizar o governador fazer um empréstimo junto à Caixa Econômica ou ao BNDES", disse.
O presidente Dr. Daniel ressaltou em sua fala a importância da discussão. "Fiz questão de estar nesta sessão devido o convite e sabendo do empenho e da luta do deputado Dirceu com a luta pelos interesses da região sul e sudeste. Eu vim aqui manifestar ainda meu compromisso para que vocês consigam asfaltar a Estrada do Rio Preto e podem contar pra isso com o meu apoio e o do Poder Legislativo", falou.
A estrada do Rio Preto teve um pedido de federalização aprovado na Câmara dos Deputados depois de aprovado um projeto de lei do deputado Beto Salame (), e tramita agora no Senado Federal. Durante a reunião o prefeito de Marabá Tião Miranda (PTB) garantiu que vai formalizar a autorização para que a Secretaria de Transportes do Estado – SETRANS possa ir ao município iniciar a topografia para a elaboração do projeto executivo para a pavimentação da Estrada. Momento antes o diretor financeiro do Setrans, Francisco Oliveira garantia que entraria no outro dia em Marabá para iniciar a elaboração do projeto para efetivar a pavimentação.


O representante da Casa Civil na reunião, Josenir Gonçalves por sua vez comprometeu-se a reunir com o senador Zequinha Marinho (PSC) para pedir celeridade no senado na tramitação do PL 5621/2016 que federaliza a via. Outra demanda muita falada foi a inclusão de recursos via emendas parlamentares para o asfaltamento, assim como incluir a pavimentação na previsão do Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária de 2020.
O representante da empresa da mineradora Buritirama, Vladimir Hesmark, comprometeu-se em participar da parceria para a pavimentação da estrada e pediu uma ação do governo para legalizar empresas que lá atuam de forma irregular usando também a via de transportes.
A Buritirama é a 5ª maior mineradora em atuação no Pará e produziu no ano passado  R$ 554.292.100,47 em recursos minerais, notadamente manganês. Em 2017, foram movimentados R$ 451.933.054,96, alcançando um extraordinário avanço de mais de R$ 100 milhões de um ano para outro.
Participaram ainda da mesa oficial da Sessão ainda, a deputada Marinor Brito (PSOL), e os deputados Jaques Neves (PSC) e Toni Cunha (PTB). João Chamon Filho, secretário regional de Governo do Sul e Sudeste; e os vereadores: Ilker Moraes, vice-presidente da Câmara Municipal de Marabá e Thiago Coch.

FONTE: Alepa

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