AMEAÇAS DE FACÇÕES

Esposas de presos pedem transferência deles para outra unidade

Elas afirmam que eles estariam sofrendo ameaças de morte por uma facção opositora, que seria CRPP3. Além disso, denunciam que os presos não têm recebido alimentação nem material de higiene

12/08/2019 14h27 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Esposas de presos pedem transferência deles para outra unidade

Paula Lourinho / Ascom OAB

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Um grupo de mulheres representando as esposas de 400 presos do Sistema Penitenciário do Pará pede a transferência desses detentos do Centro de Recuperação Penitenciário do Pará (CRPP3), no Complexo de Santa Izabel, na Região Metropolitana de Belém (RMB), para outra cadeia. Elas afirmam que eles estariam sofrendo ameaças de morte por uma facção criminosa opositora, que seria a maioria no CRPP3. Além disso, denunciam que os 400 presos não têm recebido do Sistema Penal alimentação, material de higiene, colchão nem lençol, e que estariam dormindo em cima das pedras das celas.

Denúncias

As famílias dizem que, inicialmente, dia 31 de julho, os 400 presos foram transferidos do Centro de Triagem Metropolitana III (CTM III), em Santa Izabel, para o Presídio Estadual Metropolitano 3 (PEM 3), em Marituba, também na RMB. As esposas dizem ainda que, cerca de três dias depois, esses detentos teriam sido levados para o CRPP3, onde estão desde 8 de agosto. Nessa unidade prisional, afirmam, existiriam duas facções criminosas e opostas: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

As mudanças de casas penais estariam ligadas às medidas tomadas pelo governo do Estado após o massacre que vitimou 58 presos, em um confronto ocorrido dia 29 de julho no presídio de Altamira. Um total de 46 presos foram transferidos para outras unidades prisionais do estado e de fora do Pará. Nessa operação, outros quatro morreram num caminhão-cela que levada 30 presos.

"Há três semanas não podemos fazer visitas, desde que foram transferidos pela primeira vez. Mas sabemos que eles são ameaçados de morte pela facção opositora ao PCC, que é o CV. O CV é a minoria no CRPP3. O Sistema Penal colocou eles todos juntos no mesmo bloco e estão separados somente pelas celas, mas vivem sofrendo ameaças, pois os membros do CV dizem que vão matá-los e mostram até facas. Se nada for feito, pode acontecer como foi na prisão de Altamira", disse uma das esposas dos internos.

Além disso, as esposas dos presos afirmam que o próprio Sistema Penal os maltrata na cadeia. "Eles jogam spray de pimenta nos olhos deles, não dão alimentação, colchão, lençol e material de higiene. Estão dormindo em cima das pedras e ficam somente de cueca, em celas insalubres, superlotadas e quentes, pois nem os ventiladores que entregamos no CTM III deram para eles usarem. Só queremos que os retirem de lá para outra unidade, para evitar que o pior aconteça, e garantam os outros direitos que eles têm, mesmo estando presos", reclamou uma delas.

A assessoria de Comunicação da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) foi contactada pela redação integrada de O Liberal para comentar as afirmações das esposas de detentos, mas ainda não se manifestou sobre as denúncias.

Susipe: 866 transferências

Em 1 de agosto, a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe) confirmou que realizou a transferência de 866 presos em dois dias de ação voltadas a duas casas penais da Região Metropolitana de Belém (RMB). Segundo a Susipe, as medidas foram tomadas como forma de prevenção a ataques e revides de uma das organizações criminosas ligadas ao confronto que envolveu duas facções no presídio de Altamira.

Segundo a Susipe, as transferências - 526 de uma unidade penal e 340 de outra - tiveram como objetivo evitar possíveis novas ameaças, revides e massacres dentro do sistema penal. Também foram transferidas 14 mulheres do Centro de Recuperação Feminino (CRF), de Ananindeua para Marabá, e duas de Marabá Pará Belém; além de oito internos de Parauapebas para Belém. 

Em balanço do início de agosto, a Susipe já havia confirnado que, de 1 janeiro a 30 de junho, foram realizadas 793 escoltas e 154 grandes comboios. Das escoltas, 154 foram em comboios utilizando caminhões-cela que foram doados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen). 

FONTE: O Liberal

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