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Vídeo mostra ação de agentes e detentos antes do massacre que deixou 58 mortos em presídio no PA

Dois agentes teriam facilitado a saída de presos do bloco carcerário, segundo as investigações. O caso é o segundo maior massacre em presídios registrado no Brasil

07/09/2019 11h26 | Atualizada em 30/11/-0001 00h00

Vídeo mostra ação de agentes e detentos antes do massacre que deixou 58 mortos em presídio no PA

Susipe/ Câmeras de segurança

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Imagens divulgadas nesta sexta-feira (6) mostram a ação de agentes penitenciários e detentos momentos antes das 58 mortes no Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRALT), no sudeste do Pará. Assista ao vídeo. Dois agentes teriam facilitado a saída de presos do bloco carcerário, segundo as investigações.

O "Massacre em Altamira" é considerado o segundo caso com mais mortes em presídios registrado na história do Brasil. Além dos 58, outros quatro detentos foram mortos durante transferência, após o massacre, totalizando 62 vítimas.

Uma força-tarefa foi iniciada no Pará para controlar as unidades prisionais. Familiares de detentos relatam suspeitas de maus tratos em presídios durante a ação dos agentes do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). As visitas foram suspensas em três unidades.

Os agentes penitenciários Diego Leonel Baia e William Costa da Silva foram presos pela Operação Eclusa, suspeitos de facilitar a ação dos detentos envolvidos na rebelião, ignorando protocolos de segurança. Os dois teriam se passado por reféns, segundo a Polícia. As investigações apontam que ambos teriam negociado com os presos responsáveis pelas mortes.

A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) informou que não foi cumprido o procedimento de destranca da entrada para o bloco carcerário, por isso, os presos passaram e se aproximaram de um dos agentes que, por não se afastar e manter próximo à grade, foi feito refém. Depois disso, os presos do bloco foram libertados rapidamente e não foi feito alerta para a casa penal.

Ainda segundo a Susipe, o inquérito policial aponta que houve quebra ou falha no procedimento. O protocolo era de conhecimento dos agentes, pois um trabalhava há 15 anos no sistema prisional e outro há 1 anos e 2 meses, de acordo com a Susipe.

Na Operação Eclusa foram apreendidos aparelhos de celulares que serão periciados. O inquérito segue para apurar se houve a participação ou facilitação de mais pessoas no caso, e também, se houve dolo na ação dos agentes.

Diego e William estão presos no Centro de Reclusão Coronel Anastácio das Neves, no Complexo de Santa Izabel do Pará, na região metropolitana de Belém.

Inquérito

De acordo com a Polícia Civil, a Operação Eclusa é a segunda fase das investigações sobre a rebelião ocorrida na casa penal. No primeiro inquérito, foram apuradas as condutas dos internos rebelados, sendo finalizado com o indiciamento de 84 presos que estiveram ligados à organização criminosa que liderou o motim, no dia 29 de julho.

Ainda segundo a polícia, inicialmente houve a prisão em flagrante de 15 internos que foram identificados, logo após a rebelião, sendo os líderes e executores diretos. No decorrer das investigações foram identificados os demais autores dos crimes e os integrantes da organização criminosa responsável pelas mortes.

Massacre

Um confronto entre facções criminosas dentro do presídio de Altamira causou a morte de 58 detentos no dia 29 de julho. Líderes do Comando Classe A (CCA) incendiaram a cela onde estavam internos do Comando Vermelho (CV). De acordo com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe), 41 morreram asfixiados e 16 foram decapitados.

No dia seguinte, um corpo foi encontrado carbonizado nos escombros do prédio. Na quarta-feira (31), mais quatro presos foram estrangulados durante a transferência em um caminhão-cela, totalizando 62 as vítimas do massacre.

FONTE: G1 Pará

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